segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quais são as lições que a morte do dançarino DG e de tantos outros que se foram em contextos parecidos deixam para nós? Em vez de ficarmos julgando se ele era culpado ou não, se há evidências que o colocam como um suspeito de delitos criminosos, deveríamos refletir sobre tudo o que vem acontecendo no Rio de Janeiro como a representação micro da violência que ocorre em todo o país e sugiro que  a investigação fique com os órgãos competentes.
Durante muito tempo, os cidadãos que viviam nas comunidades reclamaram para si a autonomia de vida e o direito de ir e vir pois se sentiam atormentados todos os dias pelo domínio do poder paralelo e pela  intensa violência recorrente nos arredores de onde moravam. Eram recorrentes as disputas de pontos de venda de tráfico de drogas, brigas de facções inimigas, dentre outros elementos que segundo eles, impediam-lhes de seguir uma vida normal. Para alguns, a esperança de viver uma nova condição de vida começou quando o projeto de pacificação  das favelas saiu do papel e foi para a prática. Outros olharam com medo ou desdém para essa mudança que estava sendo prometida. Desde a implantação da primeira UPP (2008) até hoje, o projeto foi louvado, criticado e detestado. Aqueles que outrora eram a favor já não o são mais, o que antes era alívio se tornou ameaça, e a promessa de que o tráfico de drogas seria controlado foi só uma utopia. Isso se torna evidente diante dos últimos ataques que as bases do Complexo do Alemão e Rocinha acabaram sofrendo.
Mas, e as lições de que eu falei no primeiro parágrafo? Depois dessa longa digressão quero dizer que diante do nosso sistema, o tráfico de drogas jamais poderá ser contornado. Ou eles, - os criminosos - podem estar vivendo onde sempre estiveram, mas atuando de modo diferente, ou então escolherem migrar para outras regiões e fazer a divisão de seus monopólios com mais tranquilidade. Mas como foi citado no parágrafo anterior, certamente muitos deles estão por aqui, jamais saíram de seus locus e agora possuem o status da invisibilidade.   Depois de seis anos de implantação do projeto, a lição maior de tudo isso é que a UPP foi uma implantação autossabotadora do Sistema de Segurança do RJ contra ela mesma. Ao criar esse sistema de proteção que visa tirar a sociedade do jugo do traficante, criou também o discurso de que não há mais bandidos no local, o que faz com que qualquer ato da polícia seja visto como algo hediondo, que a perseguição e violência que ocorrem no local sejam contra os habitantes locais e não contra os criminosos. 
Segundo a população, esses atos são contra a sociedade, porque já "não há bandidos no local", ou seja, a polícia age despropositadamente e a cada dia que passa ela é vista como um elemento que não possui relevância para a proteção das pessoas, está desacreditada, tem o status de corrupta e  vai contra o interesse dos cidadãos para os quais ela tem uma responsabilidade social. Isso quer dizer que a polícia  vive o pior momento de sua história, uma enorme crise de sua atuação, de seus interesses e propósitos. Pessoas inocentes e culpadas morrem em ações da polícia e infelizmente estão sendo colocadas lado a lado. Já não conhecemos mais o inimigo e em contrapartida, a polícia já não existe, é só um elemento de fachada. A morte do DG nos mostra que não há mais segurança pública, que estamos em guerra e diante de uma anarquia da ordem.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Esse blog tem como objetivo trazer à tona elementos da nossa sociedade, sejam eles de natureza social, religiosa, filosófica ou política. Ou seja, nosso principal objetivo é discutir criticamente sobre os eventos e situações que nos cercam, dada a gama de informações à qual somos submetidos todos os dias e pensar como tudo isso nos afeta ou nos influencia.